Comecei a gostar de xadrez aos 12 anos, uma idade já avançada para se sonhar com resultados. Entretanto, outros prazeres do xadrez sublimaram a escassez de títulos e troféus. Fui conquistado pelas manobras ocultas de Petrosian, pela simplicidade de Rubinstein, pelos recortes de jornais das colunas de Mangini, pelas disputas do "bem contra o mal" entre Karpov–Korchnoi, pelas histórias improváveis de Capablanca e Alekhine, enfim, a mitologia e a arte dos grandes mestres ganharam um espaço especial no meu coração.
Cresci com o xadrez, cresci também na vida profissional. Estudei jornalismo, comunicação social no sentido mais amplo e marketing, com um viés na administração. Enquanto participava de um torneio aqui e outro ali, no Brasil, na Suíça, em Cuba, na Argentina – suor que me valeu um nada raro título de Mestre Fide - tive a oportunidade de trabalhar em grandes veículos da imprensa, tais como Veja Rio, O Dia, O Globo, TV Globo, etc.
A vida andou, fiz amigos, perdi amigos, casei, descasei, casei novamente. Da defesa siciliana mudei para as defesas abertas, troquei as linhas principais pelas idéias esquecidas, o xadrez direto, agressivo pelo posicional, ainda que sem a devida técnica!
Há dois anos vislumbrei a possibilidade de defender e dividir minha visão de mundo numa página na grande rede. Registrei o nome Xeque.net, chutei a timidez, ganhei parceiros, incomodei, fui incomodado e colaborei, a meu modo ver, com aquilo que estava ao meu alcance.
A "versão 2.0" deste espaço tenta iniciar uma nova fase, quiçá mais participativa, um blog no lugar da opinião exclusiva. Não entendo a Internet como ambiente de grandes projetos ou ambições, mas ela serve bem para agregar pessoas, se o jeito e o momento forem propícios. É uma tentativa aos 41 anos, uma abertura Inglesa, daquelas linhas mais ou menos, de gente que ainda acredita que a boa preparação pode dispensar o uso contínuo do computador.
Há menos de um mês, a ciência anunciou a solução final do jogo de damas. Um mega-banco de dados comprovou matematicamente que o milenar passatempo, o primo distante de Caíssa, está fadado ao empate. Difícil saber o que vai acontecer com o nosso xadrez nos próximos tempos, mas conto com os colegas para garantir ainda um bom tempo de vida a este Xeque.net.
Forte abraço e obrigado pela visita,
Dirceu Viana
